6 de julho de 2015

Humanos andam precisando de um estirão de solidariedade

Sabe aquele viaduto que começa não se sabe onde e termina alí, "no sei lá onde, entende ?!"
São Paulo, Tatuapé, o Viaduto Azevedo é um deles. Tão esquisita tal ponte que nem nome completo ela tem. Poderia ser Geraldo Azevedo, Maicon Azevedo ou Chiquinha Azevedo. Mas é apenas Azevedo.... Portanto, todo e qualquer membro de família Azevedo: sinta-se homenageado !

Homenageado, mas nem tanto. Afinal é uma daquelas obras que acabou sendo usada pelos automóveis mas que, em seu projeto deve ter contemplado com gordas porcentagens algum "gerente" da cidade que um dia cismou de "obrá-lo" naquela obscura via tatuapéense.

Bem, mas nossa ideia era falar de coisas boas. E foi no Viaduto Azevedo que flagramos um momento desses que acabam se tornando poéticos posto que cada vez mais incomuns.

Uma senhorinha subia lentamente pela calçada do viaduto. Ela carregava uma mala de viagem, daquelas com rodinhas. Mas mesmo com rodinhas, a mala parecia bem pesada para seus frágeis bracinhos. Dava pra ver no seu semblante que revelava certo cansaço, embora tranquilo.
Logo atrás dela, um garoto também subia...

Pela altura dava pra ver que o chamado estirão da adolescência tinha sido bem generoso com ele. O menino devia ter seus um metro e oitenta de altura. Nada, entretanto, que conseguisse ocultar aquele frescor inocente da puberdade além, também, de algumas persistentes espinhas no rosto.
Vestido com um elegante conjunto de moleton e carregando algum aparelhinho nas mãos, algo como um cronometro ... dava pra imaginar que estivesse em uma caminhada do nada a lugar nenhum. Afinal estávamos no Azevedo.

Andava rápido.
Ao perceber a senhorinha e sua mala, imediatamente se aproximou e ofereceu-se para ajudá-la a vencer a subida.
Um gesto espontâneo, ainda que delineado com aquela timidez tão própria dos meninos quando vão assumindo, em público, valores de gentileza e solidariedade.

Pois bem. Vivemos em São Paulo, um cidade amedrontada pela violência cotidiana. Violência que é amplificada diariamente pelos programetes policiais nos finais de tarde das TVs.
Com o mesmo semblante tranquilo, mas sem manifestar algo de revelasse agrado pela atitude do menino, a senhorinha dispensou a cortesia. Dava impressão entretanto de que estivesse desconfiada.
Um desconfiança que o garoto certamente não há de ter percebido. Seguiu,ele, em seu caminhar rápido, com o sorriso orgulhoso de quem fizera o que devia ter sido feito.

Dá sim, pra continuar acreditando na Humanidade. Enquanto houver solidariedade brotando no coração de um jovem, nós temos obrigação de apostar nesse futuro. Sempre !

E fazer o possível para que meninos como ele, continuem a cultivar gestos tão simples e tão humanos como o dele. A verdadeira emancipação humana, muito além das paixões políticas,  jamais poderá prescindir dos gestos de solidariedade e gentileza.

(aldo della monica)

PS. Na verdade o Viaduto Azevedo tem nome de Viaduto Carlos Ferraci, um nome que poucos conhecem pois o Viaduto leva o mesmo nome da Avenida onde ele desemboca, uma avenida que acaba abruptamente na rua Tijuco Preto

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