18 de janeiro de 1970

Banana agora tem griffe !

Quando eu era menino, a gente morava em um edícula nos fundos da casa de minha avó.

Assim como meus tios e tias, mamãe também havia trabalhado na Tecelagem Textilia, na Av. Celso Garcia e, mesmo tendo deixado o trabalho para dedicar-se a este velho pimpolho que acabara de nascer, nossa família continuava sendo privilegiada com a Cooperativa dos Funcionários da Textília… mesmo depois de vários anos.

Comprávamos nossos mantimentos através de uma lista enviada previamente e que, alguns dias depois, eram entregues em casa por um funcionário da Textília, que, por acaso (rs), também era parente: tio Henrique (irmão de vovó).

Dentre os mantimentos, vinham os cereais sempre pesados à granel.

Certa vez, o arroz havia terminado antes do fim do mês e vovó mandou comprar 1 quilo e meio, lá na venda do Seu José e da Dona Tereza.

Feliz da vida, fui eu o incumbido de tal tarefa…. feliz, claro, porque iria sobrar algum para o doce de abóbora.

Além disso, eu gostava de ver aqueles sacões de juta cheios de arroz, outro de feijão, outro de farinha, cujos conteúdos eram vendidos à granel… Eu gostava de afundar a mão, principalmente no sacão de feijão…..

Mas desta vez algo havia mudado.

Tive que voltar pra casa só com o dinheiro nas mãos:

- Vó !, o Seu José falou que agora o arroz, só em pacotinho de 1 quilo.

Indignada e ferida em seus brios de caipira de Piracicaba, lembro-me muito bem da vó Maria esbravejando naquele seu delicioso sotaque:

- Onde é que nós vamos parar, arroz empacotado ??!!

Querida noninha, eu queria muito que você estivesse aqui ao meu lado até hoje.

Mas, garanto, vó Maria, que a senhora não iria gostar nadinha de saber que agora eles etiquetam até as bananas.

Banana agora tem griffe !

Aldo Della Monica

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